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Jequitibá branco

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por: Eduardo do Nascimento

Durante um passeio pela floresta notamos alguns frutos no chão e logo localizamos um jequitibá branco emergente na Mata Atlântica de Guarulhos.  Na ocasião, em um dos frutos, estavam três sementes já germinadas que coletamos e logo plantamos.

As sementes do jequitibá são castanhas com asa membranosa. O macaco bugio abre a tampa e sacode o fruto para fazer com que as sementes caiam em sua mão. Muitas sementes são levadas pelo vento a quilômetros de distância.

Cariniana estrellensis é o nome cientifico do Jequitibá branco. Ele pertencente a mesma família botânica da sapucaia e da castanha-do-pará. É encontrado na Amazônia, no Cerrado e na Mata Atlântica onde é mais comum, por isso é a árvore símbolo do estado de São Paulo. Entretanto, está na lista de espécies ameaçadas de extinção justamente aqui, no estado de São Paulo.

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Da semente até a magnífica árvore elas exigem sombra, crescem lentamente e vivem milhares de anos.  A combinação dessas três características da espécie nos permite imaginar que a floresta onde se encontra jequitibá branco emergente são florestas bem preservadas no mínimo há uma centena de anos.

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Então, este jequitibá branco que encontramos em dezembro de 2012 ainda luta pela sobrevivência e permanência nas florestas de Guarulhos. Anualmente ele libera milhares de sementes na expectativa de que ainda tenham solos férteis cobertos por florestas preservadas só por mais um pouquinho de milhares de anos  para que seus descendentes também se tornem arvores feitas, bem aprumadas e com a garantia de poderem se reproduzir e envelhecer sem nunca serem  desapropriadas das matas de Guarulhos. E assim, as futuras gerações também poderão contemplar o gigante da floresta.

———-  veja e escute mais:

A história do incêndio do Jequitibá de Carangola (Hélio Ziskind)
Clique para ouvir (RealPlayer)
Clique para ler

A morte do Jequitibá rei
http://www.bahiatodahora.com.br/noticias/a-morte-do-jequitiba-rei

Os olhos de quem vê ou Fui até ali e já volto

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Casa da Candinha, Guarulhos – novembro de 2010 – foto: Eduardo do Nascimento

Guarulhos carrega uma conexão muito forte com o passado. A floresta que cobre a serra ao fundo, abrigou pessoas por muitos séculos. Entretanto, diversos locais permaneceram esquecidos e, apesar do tempo de 500 anos passados, a cidade de Guarulhos tem muito sobre a história do Brasil para contar.

Encontrar uma estrutura arqueológica não é coisa rara nem distante em solo guarulhense. A ancestralidade nos salta aos olhos.

Ainda que essas rochas tenham sido empilhadas há menos de 50 anos, tenho a impressão de que elas não foram tocadas depois de seu último grande uso.

Emociona perceber a vida assim.

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